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9 de junho de 2009

Quinta do Marquês | Boronoff ou Voronoff?


Surgiu a dúvida, numa reportagem do jornal "O Almonda" acerca do ex-motorista da Quinta do Marquês, sobre quem teria sido o cientista russo, com quem Gertrude Ramada Curto havia sido casada. Ora, ele de facto existiu. A história de Sergei Abramovich Voronoff (e não Boronof) é, toda ela, envolta de fascínio e mistério.

Nascido a 1866 em Voronezh, na Rússia, de ascendência abastada e judia, viria a estudar em França onde adquiriu nova nacionalidade. Foi uma figura de referência no meio científico mundial. Foi admirado por uns e odiado por outros. Acreditava na relação entre atividade hormonal e o envelhecimento e pesquisou acerca da sexualidade no homem e melhoria do desenvolvimento mental em crianças, através do transplante de glândulas de macacos. Recorrendo ao xenotransplante testicular dos símios para os homens, acreditava ser esta técnica um potencial de rejuvenescimento. Valeu-lhe, há pouco mais de uma década, a acusação de ter sido o causador da propagação do HIV. Acusação não fundamentada, no entanto. A ele recorreram celebridades do mundo cultural e político no intuito da busca da juventude. Entre as celebridades políticas, que se sujeitaram às mãos de Voronoff, no verão de 1925, estava Clara Zetkin, "grande mãe da revolução" alemã, sobre quem Lenin um dia afirmou que "na Alemanha existia um único homem e esse homem era uma mulher"! A sua fama chegou às artes da culinária, havendo restaurantes e iguarias gastronómicas inspiradas no nome de Voronoff. Ainda hoje é mais ou menos comum encontrar o cocktail Voronoff (não Molotov!).
Sergei Voronoff recebeu variadas honras e homenagens, entre elas a da Legião de Honra de França, a Grande Cruz e Grande Oficial da Coroa Italiana e a Ordem de Elizabete de Espanha entre outras. Viveu e realizou as suas experiências na Riviera, junto a Menton e Mónaco, na sua propriedade do Castelo Grimaldi.

Foi casado por três vezes, sendo a primeira mulher, Marguerite, filha do famoso Ferdinand de Lesseps, concessionário na construção do canal do Suez, e a segunda Evelyn Bostwick da alta sociedade novaiorquina, filha de um magnata do petróleo, sócio de J.D. Rockefeller. Afirma-se que teriam sido estas duas mulheres, donas de grande fortuna, que teriam sido as financiadoras das suas experiências. A terceira era uma austríaca, de nome Gertrude que, segundo notícia da revista Time de 22 de Março de 1948, era prima de Magda Lupescu Hohenzollern, amante e mais tarde esposa de Carol II, último rei da Roménia, falecido no Estoril em 1953. Gertie, no seu diminuitivo, que após a morte de Voronoff em 1951, se tornaria na Condessa da Foz, residente nos arredores de Torres Novas. Conta ainda a Time dessa altura que uma senhora, dona de casa do Bronx de Nova Iorque, terá encontrado uma jóia, no chão da rua, e que, subavaliando-a, a usou amiúde durante dois anos. Descobriu, entretanto, que era uma jóia com 194 diamantes, 21 rubis e 56 ambar-topázios avaliada, na época, em 5000 dólares, o que perfaz um valor aproximado dos 103.000 euros actuais. Tendo-a entregue à polícia, para a descoberta do seu verdadeiro dono, rápidamente chegou um telegrama proveniente do Mónaco, confirmando a sua propriedade. Pertencia a Gertrude Voronoff, a que viria a ser Gertrude Ramada Curto.

Grande parte da informação, aqui reproduzida, foi-nos facultada por Aaron Voronoff, artista plástico norte-americano, residente no Oregon. Descendente de Sergei, a sua família instalou-se nos Estados Unidos após o holocausto. Actualmente Aaron Voronoff lidera a família na busca e organização de toda a informação acerca do seu antepassado. É sua vontade deslocar-se a Torres Novas a fim conhecer algo dum património, que se cruza com a história do seu tio-bisavô. Definitivamente Voronoff e não Boronof.