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9 de junho de 2009

Flight Simulator | Fascina-me voar!

Muito embora sempre tenha sido atraído pelo impacto gráfico, com que os videojogos hoje são construídos, nunca me senti vocacionado para perder algum tempo com eles. E sei que há jogos que são verdadeiramente arrebatadores. Seja na qualidade visual ou sonora eles não passam despercebidos, exibindo redundantemente o que de melhor há na ciência cibernética. É verdade... seja uma corrida de carros, seja uma batalha plena de estratégias, etc. etc. Mas não... não é a minha vocação este tipo de jogos.

Contudo, há alguns anos atrás, alguém me mostrou uma versão de um simulador de vôo. Ora eu sempre gostei de voar. Helicóptero, avioneta ou grandes jactos sempre se me apresentaram como prazer predilecto, em vez das profundezas submarinas. Talvez seja pela vista, soberba e infinita, que se obtém a partir das alturas e que nos faz admirar o nosso mundo. E que, lá de cima, tão tranquilo ele parece, quem nem deverá haver guerras lá em baixo! E o avião continua a ser um dos meios de transporte mais seguros que há, muito embora lá vão acontecendo, de vez em quando, algumas tragédias.


Mas aquela versão do simulador, que me haviam mostrado, apresentava-se com algo de curioso e interessante. A dinâmica dos aviões incluídos aparentava já um realismo bastante tentador. E, fosse a visão do cockpit ou o realismo dos cenários, fiquei absorvido e possesso por tal simulador. Ou jogo, como queiram! A aventura não se aparentou muito pacífica, desde o primeiro momento. A instalação cheirava a algo complexo e iam, para além do normal, as suas exigência em termos da capacidade computacional. Mas com alguma teimosia, lá estava eu com um joystick, na mão, simulando a manche de um Boeing 737! Claro que nem andou um milímetro! Prudentemente decidi começar com um Cessna 172 e recorrer aos tópicos da aprendizagem. Bem... lá começou a percorrer a pista! Subiu... empinou... empinou... e "stall" - perca de sustentação e nariz no chão! Mais algumas tentativas e... nada. E desisti por algum tempo! Mas havia algum bichinho a chamar-me! Talvez resquícios de, quando na minha infância, também quis ser astronauta e desenhei Apollos, alunagens e Geminis aos molhos, que até tive uma exposição no átrio da minha escola só com esses desenhos. Mas o sítio onde vivia era fantásticamente longe de Neil Armstrong e, por isso, nunca fui astronauta, nem à Lua fui.


Mas o bichinho tentador de voar picou-me novamente e, tão tentador que era, obrigou-me a insistir e resistir aos insucessos. Não demorou, depois de vencer o desânimo, a meter o maldito Cessna a "flutuar". Qual flutuar, qual quê! A voar! Mas a voar com olhos de se ver!
Com caraças! Nem o Leonardo (sim, o Da Vinci!) teve essa sensação! Fantástico, ali ia eu sobre toda a folha. Parecia uma pena flutuando por cima de 500 pés de ar! Quando percebi aquela relação gerada pela impulsão aceleradora entre a descida e a subida, então senti que aquela máquina só iria cair quando eu quisesse! E assim foi. O desafio seguinte era descer... aterrar! Como é que se aterra? Afinal, para por um avião no ar, até nem é preciso assim tanto! Mas para aterrar? É claro que, para não meter água, porque possuir o brevet requer tê-lo (desculpe-se esta lapalissice!) é melhor não dizer muito. Mas aterrei! E depois aterrei um Cessna Grand Caravan. E depois um jacto Learjet. E depois um Boeing 737! Querem mais? Vejam o meu Airbus 380 a aterrar na ilha da Reunião. Está no Youtube. Procurem-no.


Só digo que, hoje em dia, o Microsoft Flight Simulator é usado para fins de instrução em muitos meios aeroáuticos. Ele já consegue englobar a meteorologia configurável aos efeitos aerodinâmicos desejados a determinado voo. Pode-se utilizar o GPS como instrumento de localização e controle de rota. Pode-se configurar a aterragem para um controle por instrumentos (ILS), que permite fazê-lo, praticamente, em pleno nevoeiro . Configurar o voo, percurso e aproximação à pista usando as comunicações com torres de controle. Pode-se configurar, inclusivamente, fixa e aleatóriamente, a geração de avarias. E essas avarias podem ser nos motores, flaps, pitots, leme de direcção, radio navegação, etc.


Um dos factores, verdadeiramente fantásticos, deste simulador - e refiro-me em concreto ao FSX - é a possibilidade de uso de cenários tão reais que, em muitos casos, ultrapassa largamente o que o Google Earth apresenta. Utilizando uma tecnologia denominada por "autogen", esta identifica as tipologias do cenário, sejam fotográficas, sejam pré-identificadas, fazendo com que determindas áreas sejam povoadas de árvores ou de casas. E, sem grande erro, apresenta as variantes relativas às latitudes. Por isso temos os pinheiros e as palmeiras, os desertos e as pradarias colocados sem grandes margens de erro, para se poder fazer um voo à vista (VFR). Acrescento que, em termos de cenários, há situações de realismo quase absoluto. Quanto à orografia consegue ser práticamente real. Posso dizer que, fazendo um voo de Tancos até Monte Real, fácilmente se vislumbram a Serra de Aire, o Arrife, a Serra de Santo António, as autoestradas, os cursos de água, a Fórnea, etc. Imagine-se, então, o que é ter o mundo todo num jogo desta dimensão. Claro que é muito mais que um jogo. É um simulador. Ou , se quisermos, é um programa, que seguramente é do mais complexo que se pode encontrar, tanto em instalação como configuração de uso. Isto porque requer permanentes acrescentos (vulgo addons) em melhorias. Se o quiser instalar, prepare-se para uma árdua tarefa... mas que é gratificante, é!

E, simulando, a última experiência que fiz foi experimentarr a avaria de todos os instrumentos electrónicos, incluindo a falha dos pitot numa atmosfera tempestuosa e sem visibilidade, longe de qualquer aeroporto. Confesso que, perante tamanho inferno, é experiência que não desejo que alguém experimente na vida real. Talvez tenha sido mais ou menos isso que aconteceu recentemente, em pleno Atlântico, com o Airbus 330 da Air France.
Contudo, viajar de avião ainda é o meio mais seguro.