São cinco árvores e todas elas são diferentes. Se isoladas estivessem quase que passariam despercebidas, mas no seu conjunto transformam-se num atraente mistério.
Todos
os dias as aprecio por alguns momentos. A avaliar pelas suas formas, têm
identidade própria, tenho essa certeza. Ou, pela graciosidade do seu bailado,
quando tocadas pela brisa que sopra fresca, vinda dos lados de lá da Serra de Aire.
A mais ousada lança as suas ramagens em redor seu tronco, como uma águia exibindo
as asas num longo planar. Outra estica-se para o ar como querendo chegar ao
céu. Das restantes três destaca-se o pequeno elefante, pela sua forma. É isso
mesmo que representa, sentado de tromba pendente parece amuado de costas
viradas para a águia. E as duas restantes aparentam não querer impor-se, No
entanto. completam o conjunto conferindo-lhe a perfeição.
Há
décadas que as vejo crescer num quintal da minha rua e não tenho dúvidas que me
inspiram. Ou é a diferença dos seus verdes ao longo do dia, os diferentes sons que
delas saem ou a vida alada que por ali deambula. Observando assim estes seres condenados
a viver presos ao solo, que mundo poderão eles conhecer?
Deambulando
nesta quase caótica meditação concluo que, mesmo eternamente imóveis, estas podem
viajar. Imagino quantos milhares de automóveis e aviões já viram. Os dialetos
que escutaram. Os melhores e os piores odores que atravessaram o seu folham. Amores
e ódios usaram a sua sombra. Tantas e tantas conversas ouviram, mesmo os
maiores segredos e testemunharam lágrimas e alegrias.
A
brisa, que do mar aqui se espraia, depois de pular a serra e o arrife, carrega
consigo tanto eco, tanta cor e tanta história.
Num
sentido que parece contrário a lógica as árvores viajam sem medos e sem ódios
para longe. E quanto nos poderão ensinar na sua mudez?
Talvez
a sua sabedoria nos ensine como conseguiremos limitar tanto a pobreza como a
riqueza. Talvez a sua pose estática nos diga do valor da tolerância. Talvez o
seu intenso verde nos contagie de esperança.
Antero Guerra | 29 Junho 2021

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